Uma das coisas mais comuns de acontecer nas pequenas empresas é a mistura das finanças pessoais do proprietário com as finanças da empresa. Não tenho dados precisos sobre o assunto, nem sei se existem da forma como relato, mas certamente esse fator deve influir e muito nas estatísticas que dizem que de cada 10 empresas que abrem, 6 fecham as portas antes de completar o quinto ano. As razões que fazem alguém tornar-se empresário são as mais diversas, inclusive a falta de um emprego que satisfaça as necessidades do indivíduo, como liberdade e rendimentos. Mas nem todos têm a iniciativa e o talento nem para a liberdade nem para aquele rendimento que se imagina merecedor. Enfim, não tem vocação. Ocorre que ao abrir uma empresa, ele fica senhor do rendimento bruto do empreendimento e é tentador tratar isso como se fosse rendimento líquido do administrador. Isso ocorre até mesmo com alguns que mesmo tendo a vocação, caem em tentação. Seria interessante que serviços como o SEBRAE, colocassem economistas consultores em finanças pessoais para ajustar a vida financeira dos empresários com as de suas empresas. Para ter eficácia, a consultoria empresarial, os ensinamentos de uso de todas as ferramentas de administração para bem conduzir um negócio, não é factível termos um inimigo na trincheira, e pior, o próprio dono, gastando recursos que são arduamente otimizados durante o expediente, durante um fim-de-semana ou em supérfluos. É colocar recursos de pá e retirar de retro-escavadeira. Muitas vezes a própria condição de empresário leva a crer que deva ter certo tipo de ostentação, de mostrar-se próspero, que isso é bom para os negócios. Aliás, esta é a desculpa mais usada para alavancar-se, para endividar-se por um carro mais caro, uma casa mais suntuosa ou uma chegadinha no Exterior, afinal seu status de empresário requer também cultura e nada melhor que uma viagem para abrilhantar uma conversa social e causar uma inveja nos concorrentes. É necessário aos nossos pequenos empresários incrustar disciplina pessoal antes de qualquer coisa. Quando chegar a hora de tomar decisões que requeiram esforço ou mesmo sacrifício, ele estará apto e consciente do que deve ser feito. Mas isso tem que ser ensinado, e dificilmente vem de casa, ficando por conta do indivíduo essa busca, e é aí que os economistas podem ajudar.