Quanto o Governo Leva
Está terminando o prazo para a entrega do Imposto de Renda. Em homenagem a isto, coloco hoje um exemplo do que acontece com os rendimentos de um casal classe média, com um filho, quando os impostos batem. Neste exemplo baseado nos estudos elaborados pelo IBPT, são calculados os impostos embutidos no consumo, aqueles que não aparecem., como ICM, IPI etc. Colocamos a esposa como empregada formalizada no setor privado e o marido como um trabalhador informal justamente para fazer uma comparação. O casal tem um patrimônio de R$ 180.000,00. Seus gastos mensais são de 5.682,00.
A esposa tem um salário de R$ 3.000,00
IR: 17,58% do seu ganho bruto mensal = R$ 527,55.
O empregador paga ao Governo mais R$ 1.318,80 (43,96%) em impostos sobre o seu salário bruto.O marido ganha R$ 3.420,00.
Por ser informal, não paga imposto de renda, nem há recolhimento de encargos sociais por parte de empregador.Impostos sobre o consumo familiar:
Consumo: R$ 5.682,00 Impostos: R$ 1.847,88Imposto sobre patrimônio familiar:
Patrimônio: R$ 180.000,00 Impostos: R$ 450,00Estatísticas:
A esposa que tem emprego formal paga em impostos, entre os de renda, consumo e patrimônio, 55,88% do seu rendimento mensal, ou seja ela trabalha 17 dias por mês para o governo, ou 201 dias por ano.O marido por ser informal paga em impostos 33,6% de seu rendimento, o que lhe faz trabalhar 10 dias por mês para o governo, ou 120 dias por ano.
O casal pagou 32,5% em impostos sobre o que consumiu. Estes impostos são arrecadados nos três níveis de governo: federal, estadual e municipal, variando as alíquotas nos estados e municípios. Isto representa, a princípio, o mínimo que cada cidadão paga de impostos por estar vivo.
Um outro dado importante a salientar neste caso, é quanto o governo ganha por cada real de rendimento de um empregado com carteira assinada. O governo levou da esposa em impostos R$ 1.676,49 (IR + metade do total pago pelo casal). Seu empregador pagou R$ 1.318,80. No total, enquanto ela tem os seus R$ 3.000,00 de salário, o governo já arrecadou em cima disso R$ 2.995,29, ou seja, 99,8%. Do marido informal, continua levando os 33,6%. Diante desta distorção gritante, sobra alguma dúvida sobre o incentivo à informalidade que esse sistema tributário leva?
Estes números valem para este exemplo específico, já que variando os salários variam também as faixas de arrecadação e se o consumo variar os valores acompanham percentualmente. De qualquer forma dá uma idéia do quanto estamos pagando caro por serviços constantemente mal prestados, às vezes inexistentes que deveriam vir na contrapartida de carga tributária tão elevada. Educação, Justiça, Segurança, Transporte, Saúde, desses nenhum funciona a contento, mas um serviço tem melhorado bastante sua eficiência: arrecadação de tributos.28-4-2006
Jackson Busato
Economista
jackson.busato@terra.com.br