Pesquise antes de comprar
 
 
 

Comprar é uma atividade que desperta sentimentos muito diferentes nas pessoas, às vezes antagônicos mesmo. Algumas simplesmente adoram comprar. Outras odeiam com o mesmo fervor. Não estamos falando dos dois extremos patológicos: os gastadores compulsivos e os avarentos. É muito natural que a pessoa goste de comprar, goste de entrar em lojas, ver as novidades, experimentar roupas, sem necessariamente quebrar o orçamento. Normalmente entre as mulheres essa característica é mais comum. As mulheres, em geral, são mais abertas em relação às novidades, tem mais curiosidade, gostam da variedade, comparam qualidade, analisam preços. A mulher tem mais paciência, o que é um ponto positivo para a pesquisa, daí muitas estratégias de marketing para produtos masculinos tenham nas mulheres o público alvo. São as mulheres que compram muitos dos produtos para homens, que seus maridos, filhos consomem. É também natural que a pessoa não goste de sair para comprar. Seja por falta de interesse naqueles produtos, de paciência ou pura preguiça. Quando precisa de alguma coisa, paga pela primeira que encontrar, o que não é bom. O problema é que não dá para comprar sem pesquisar. As diferenças de preços são muito grandes. Normalmente quando se trata de bens duráveis de maior valor, essa preocupação com a pesquisa surge naturalmente. Ao comprar uma casa, um carro, um barco ou um sítio, normalmente as pessoas ficam semanas, meses ou anos namorando aquele bem antes de finalmente, após esse tempo de indecisão, “bater o martelo”. Ninguém sai num sábado de manhã para comprar aspirina e volta dono de um sítio. Normalmente. Em geral antes de comprar um sítio, o interessado vai analisar bem, consultar a família, verificar se o dinheiro vai dar. Isso pode levar meses. E depois, quando quiser vender, talvez anos.
Essas grandes compras, no entanto, ocorrem poucas vezes na vida. Como o valor do negócio é alto, tomamos o maior cuidado ao efetuá-lo, consultamos advogados, contadores, especialistas de todos os tipos. E com razão, podemos perder muito dinheiro de uma só vez. Nas compras diárias ou menores nem sempre temos esse cuidado e elas representam muito mais ao longo da vida. Faça o cálculo de quanto representa R$ 5,00 a mais por dia nas despesas por conta da preguiça ao longo de 30 anos. Já digo: Coloque numa renda fixa, supondo um rendimento de 0,8% ao mês e terá mais de R$ 311.461,98. É pouco para uma diferença? Para quem é jovem e acha 30 anos uma eternidade é só lembrar que se começar a fazer esse investimento aos dezoito anos, aos 48 anos terá o dinheiro suficiente para a universidade privada de dois filhos, comprar um carro e um apartamento pequeno para cada um. Uma das virtudes da decisão de poupar é a aquisição de bons hábitos. Quando a gente começa a fazer contas de quanto custam determinados costumes nossos, paulatinamente eles vão perdendo sua importância para nós e sendo substituídos por outros. Alguns são dificílimos de deixar, principalmente os vícios, como o cigarro, por exemplo. Mais uma continha: Fumei 25 anos, dos 15 aos 40, gastando em média R$ 3,00. Poderia estar com R$ 111.582,00 aplicado, ou dando uma volta ao mundo com direito a muitas mordomias. Esses exemplos poderiam servir para uma série de pequenos gastos desnecessários que devidamente cortados e administrados, no final fazem uma diferença enorme. É difícil que nos passem para trás em R$ 100.000,00 numa negociação sem que notemos, até porque estaríamos atentos. Mas um simples tubinho de nicotina faz isso sem problema. Nossa aposentadoria pode, muitas vezes, depender dessa visão, e quem têm muito tempo pela frente, é bom ir fazendo seu pé-de-meia e não confiar que o governo suprirá sua aposentadoria com a previdência estatal. Não confie nisso. O rombo está cada vez maior. Confie em si mesmo e nunca espere nada de governo nenhum. Se um dia vier alguma coisa, ótimo. Mas é de duvidar.

23-3-2006
 
 

Jackson Busato
Economista
jackson.busato@terra.com.br