MICROEMPRESÁRIOS


                                                                                                      18-01-2010
 

O Brasil é considerado um país de empreendedores, tanto por nós brasileiros como pelos estrangeiros. O brasileiro é um grande abridor de empresas, ainda que a burocracia dificulte a abertura de um estabelecimento formal, mas somos campeões da informalidade também. Fechar uma empresa também não é fácil. Entraves de toda ordem e custos excessivos para quem normalmente fecha as portas justamente porque o dinheiro não aparece. Qualquer custo é excessivo neste aspecto. A grande maioria das microempresas fecha antes de completar 5 anos de existência. Uma das razões, senão a mais importante é o despreparo do empresário, se é que podemos chamá-lo assim. Como empresário, esse herói brasileiro vai se deparar com as dificuldades para empregar alguém, os custos subjacentes, as leis sociais, as exigências sindicais. Normalmente foram estas mesmas razões que o levaram a abrir uma empresa, ou seja, sua própria dificuldade de arrumar um emprego. Neste caso o empreendedorismo é apenas falta de opção. É como se ele dissesse que foram tantas as exigências para ser empregado quem só restou ser patrão. O empreendedorismo é uma coisa ótima, saudável em qualquer economia, seria algo para comemorar se não se originasse no engessamento do mercado de trabalho pelos encargos trabalhistas, se não jogasse as feras um brasileiro despreparado intelectualmente e psicologicamente para enfrentar as incertezas que uma empresa carrega na sua natureza. Mesmo ações de programas e serviços de apoio como os que o SEBRAE desenvolve, que são de extrema valia, muitas vezes não alcançam a maior parte dos microempresários, seja pelo desconhecimento do serviço, por timidez ou porque este empresário não reúne condições mínimas de base educacional para absorver o conhecimento a ser passado. Em muitos casos o maior problema da microempresa é o microempresário. Ele confunde as finanças da empresa com as pessoais. Trata faturamento como lucro. A maioria não sabe o que é orçamento, nunca ouviu falar em fluxo de caixa e não tem a menor idéia do que seja um plano de negócios. Uma ação direta de educar este empresário começaria com o trato de seu próprio equilíbrio antes de começar a tratar da empresa, afinal ela é uma conseqüência neste caso. As vezes temos a impressão que só existe a coluna da receita para alguns. Frases do tipo: “não importa o quanto eu gasto, eu preciso é faturar mais” costumam frequentar a boca dos falidos.

Jackson Busato
Economista
jackson.busato@terra.com.br