Investindo em Ações

                                                                                                 Novembro de 2005.

Ações são ativos de renda variável.  Como o nome diz, ao fazermos o investimento, sua rentabilidade não é conhecida. Ao adquirir ações, estamos comprando um pedaço de uma empresa e apostando na sua valorização. Pode ocorrer o contrário e teremos prejuízo. É, portanto, um investimento de risco. A variação do preço de uma ação depende de muitos fatores, como a administração, o ramo específico da empresa, a conjuntura econômica, o mercado internacional, a política, a expectativa de ganhos, etc. Além da valorização, o acionista pode lucrar através de dividendos, que é a distribuição de parte dos lucros em espécie; através de bonificação que são novas ações ao acionista por conta de aumento de capital por incorporação de reservas; e por subscrição, que é o direito do acionista comprar ações a preço menor num aumento de capital. As ações, no Brasil, são negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA), através de corretoras credenciadas junto à Bovespa e fiscalizadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Investir numa ação específica, visando lucro no curto prazo, ou seja, especular, é para conhecedores do mercado, gente que respira esse ar todos os dias e pode ganhar uma fortuna numa transação, mas que ainda assim, mesmo conhecendo os riscos, pode perder dinheiro. As ações escolhidas para compor o índice Bovespa (aquele da televisão), as chamadas Blue chips tem demonstrado que são, a longo prazo, um excelente negócio. Houve uma época em que as ações sofriam de má reputação no Brasil. Foi uma época em que o mercado não estava bem regulamentado nem fiscalizado, resultando que oportunistas sempre de plantão gerassem enormes prejuízos aos incautos sempre à mão. Hoje é diferente. Cada vez mais, aflui a este mercado pequenos investidores, fruto da seriedade necessária empreendida na fiscalização. Além disso a própria pulverização, ou seja, o maior número de ações na mão do maior número de investidores, já diminui muito os riscos de manipulação por grandes especuladores, como aconteceu no passado. Surgiu a figura do Home Broker, aquele que acompanha o mercado e investe em ações de sua casa, acessando a corretora através da internet. A tendência é de crescimento dos investimentos em ações, tanto pelo lado do investidor que busca rentabilidade quanto das empresas que cada vez mais dão transparência nos seus negócios, já que captar recursos através de um sócio é bem mais barato que ir ao banco pedir empréstimo. Aos poucos vai se criando a consciência que investir na produção é melhor que financiar gastos do governo.
Quem investe em ações deve considerar dois fatores: diversificação e longo prazo. Ações são transacionadas em quatro mercados diferentes: Mercado à Vista, Mercado a Termo, Mercado Futuro e Mercado de Opções.

Fundo de Ações –  Neste fundo, o investidor compra cotas de um conjunto de ações escolhidas pelo administrador do fundo, que cobra uma taxa de administração pelo gerenciamento. É o mais indicado para quem deseja investir visando a rentabilidade, arriscando um pouco menos. A diversificação das ações e o conhecimento do administrador diminuem os riscos inerentes a aplicações em renda variável. É bem menor do que simplesmente mandar o corretor comprar ações de uma única empresa porque um “amigo” deu uma dica imperdível. É esta cesta de ações escolhidas que vai definir a maior ou menor rentabilidade do capital investido, portanto a escolha de um bom fundo é essencial.

Um mito é o de que a bolsa de valores é um cassino. As operações de compra e venda não são feitas com base em palpites ou sonhos como jogo-do-bicho, ou números aleatórios como loteria. Existe todo um estudo,  um acompanhamento do comportamento das empresas e de suas ações que permitem decidir a melhor hora de comprar ou vender uma ação. Existem dois tipos de análises usadas neste mercado, que são aplicadas conjunta e paralelamente. A primeira, a análise fundamentalista, estuda basicamente a empresa e sua administração, a análise de seus balanços, seu histórico, seu mercado e suas tendências, sua política de distribuição de lucros, liquidez da ação,  vai nos fundamentos, de olho na solidez da empresa e decide para o longo prazo, numa ótica de quem vai se associar à empresa. A segunda, a análise técnica, estuda o comportamento da ação no tempo. Para tanto, utiliza-se de gráficos onde são registradas as variações de preços durante o dia, o mês, o ano ou até onde os registros permitirem. As curvas de preços formadas nesses gráficos indicam as tendências de mercado, de alta ou baixa da ação em estudo, servindo de indicativo para uma tomada de decisão por comprar ou vender. Essas tendências são de curto ou longo-prazo dependendo do espaço de tempo abrangido pelo gráfico. Como deve ter ficado claro, a análise técnica e fundamentalista são as indispensáveis ferramentas do investidor em ações. Cada vez mais, o investimento em ações por parte do pequeno investidor, se tornará o instrumento com que o capitalismo distribuirá as benesses do sistema, à medida que o maior número de pessoas se associem e usufruam os lucros, tornando o sistema mais dinâmico, mais irrigado, mais pulverizado e em decorrência, mais seguro. E mais sensato termos nossas aposentadorias sustentadas pela produção do que por impostos.
 

Jackson Busato
Economista
jackson.busato@terra.com.br