HOMEBROKEN 30 de Outubro de 2008.No início desta década apareceu uma figura inédita no mercado financeiro: o Homebroker. Significa o investidor que compra e vende ações através de seu microcomputador, de qualquer lugar, inclusive de casa. Ele não é um corretor, como o nome sugere, mas um cliente e está conectado a uma corretora que, esta sim, efetiva a transação na bolsa de valores. O objetivo é aproveitar a tecnologia disponível para pulverizar o mercado, expandi-lo e dar maior conforto ao investidor. Desde que surgiu o Homebroker, esta é a primeira crise realmente assustadora para a nova classe, tanto que criou uma nova e irônica figura neste segmento: o Homebroken. É o sujeito que perdeu seu dinheiro investindo de seu micro, de qualquer lugar, inclusive de casa. Infelizmente, alguns muito jovens. Quantas reportagens foram feitas mostrando mocinhos imberbes fazendo cara de milionário ao lado de um notebook exibindo um gráfico em ascensão? O pimpolho genial que pegou o dinheiro da vovó e da empregada para dar uma especulada básica nas Blue chips. E o Pequeno Buffet, orgulho da Vovó, nem faz idéia do que seja economia e foi às compras.
Não existe problema nenhum com o homebroker nem com a bolsa de valores, pelo contrário, mas com os exageros eufóricos. O trauma que isso vai deixar custará a passar. Jogar inexperientes e despreparados jovens na bolsa de valores é praticar o contrário do que prega a propaganda institucional, que insiste em dizer que bolsa não é cassino. De fato não é, mas para esses jovens que apostam um dinheiro que ainda nem sabem seu preço em suor, é um jogo, é cassino sim. Que educação financeira, que conhecimento econômico, que preparação tem esses jovens para saber qual empresa de qual setor crescerá no futuro? Suas informações são confiáveis? Repetiam nomes de empresas como mantras infalíveis. Pra cima todo santo ajuda. Descobriram que pra baixo também.
No inicio do ano já se cansava de falar no subprime, na bolha imobiliária. Os sinais eram claros, mas a ganância cega. Qualquer IPO era disputado a tapas. Não é bárbaro? O mercado é sério, regulado e fiscalizado, diziam. Todo ele? Bem, os bancos de investimento americanos não eram. Economistas alertaram do perigo da contaminação.. Foram vistos como oficiais de justiça do pessimismo, os chatos da festa.
A bolsa reflete os humores do mercado, e ainda na área juvenil, talvez a melhor personificação deste tenha sido dada pelo grande Walt Disney. O mercado é avarento, desconfiado, pão-duro, mesquinho, covarde, histérico, ganancioso e ... rico. Ora, é o Tio Patinhas. Portanto, nós conhecemos este perfil psicológico desde a infância, ao contrário do que dizem os ressentidos. Não é de estranhar que Tio Patinhas more em Patópolis, onde o habitante mais conhecido e bem sucedido é um rato. Mas a cidade está cheia mesmo é de patos.
Jackson Busato
Economista