Fuja dos Juros
25-6-2005
Uma boa razão para ler esta coluna de finanças pessoais que começamos a publicar, é o momento econômico que o Brasil vive. Quem viveu os anos de inflação descontrolada sabe que era praticamente impossível planejar nossa vida financeira. Tivemos inflação acima de 80% ao mês. O assunto era só esse. Nas universidades, sobretudo nas faculdades de economia, administração e contabilidade era predominante este tema. Se o governo, com toda aquela gente pendurada nos ministérios estava perdido nas contas, que chance teria de se organizar o pobre cidadão comum? Nenhuma. Tivemos, nesse meio tempo, vários planos econômicos, confisco de poupança, congelamentos, impeachment, quebradeira, enfartes, suicídios, paridade, enfim, muita água rolou por baixo da ponte. E nem sempre água limpa.
Hoje, a realidade é outra. Temos inflação baixa, juros extravagantes e carga tributária incompatível com um país que precisa crescer. Freqüentar um cheque especial, ou um rotativo de cartão de crédito pode ser a perdição financeira. Anos de poupança e sacrifício podem ser vaporizados em poucos meses de descuido. Vamos publicando a cada edição, na medida do espaço disponível, temas econômicos que dizem respeito a todos.
Vamos falar um pouco sobre juros. Tomar dinheiro emprestado no mercado, por qualquer meio, em qualquer circunstância, é mau negócio. Cartões de crédito, cheque especial, empréstimos pessoais, crédito direto ao consumidor, qualquer um deles nos coloca numa posição em que qualquer descuido pode nos levar a uma situação muito difícil, às vezes sem saída. A questão maior que se apresenta sempre é a diferença abismal entre o que recebemos numa aplicação em relação ao que pagamos ao financiar um bem. Apresentaremos a seguir uma tabela que terá o propósito de ilustrar de forma mais clara do que mil palavras proferidas a respeito destas diferenças de taxas de juros existentes, entre o tomado e o aplicado. Nosso exemplo fará a comparação entre uma quantia aplicada em renda fixa e esta mesma quantia sendo devida nas modalidades de cheque-especial, rotativo do cartão, comércio, empréstimo pessoal em bancos e financeira, financiamento e empréstimos com desconto em folha.Usaremos como exemplo as taxas médias de juros de mercado praticadas em fevereiro de 2005.
Valor: R$ 1.000,00 por 24 meses.
Tabela Comparativa de Juros de Produtos Financeiros
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Se aplicássemos na poupança, o rendimento seria ainda menor.
Este exemplo dá a verdade crua. Como estes empréstimos são amortizados mês a mês, a brutalidade das taxas fica mascarada. Muitas vezes a urgência e necessidade, como num caso de doença por exemplo, nos empurra a tomar empréstimos, sobretudo os pré-aprovados como cheque-especial e cartão de crédito, justamente dois dos três mais caros. Aí tem que fazer como no banho de sanga no inverno: entra o menos possível e sai o mais depressa que puder.
Jackson Busato
Economista
jackson.busato@terra.com.br