Finanças pessoais
Setembro de 2005
Existe entre nós, cidadãos brasileiros, um quase consenso de que nossa maior falha como país, reside na educação. Não é a educação familiar, aquela do “bom dia”, “obrigado”, “desculpe”, que embora esta também nos falte em grande escala, nossa concordância refere-se à educação formal, a escolar. Lá, nós aprendemos Português para bem escrever e falar, para nos comunicarmos com alguma eficiência e estilo, alcançando mesmo, os mais dotados, os rarefeitos ares da arte de bem falar, a retórica. Aprendemos a Matemática, que nos empresta método e rapidez de raciocínio, tornando-nos mais aptos ao entendimento das relações de troca, essencial entre os humanos. A Física e a Química nos levam a um mundo invisível, onde aprendemos de que as coisas são feitas e como funcionam, suas forças e reações. A História nos mostra quem somos e para onde vamos, através do conhecimento do que fomos e de onde viemos. A Geografia nos insere e nos localiza no universo e suas divisões, e como uma lente em movimento, vem aproximando e vemos a Via Láctea, um pouco mais, temos o sistema solar, a seguir a Terra, logo América do Sul, vem o Brasil, confusão, um pouco mais e chega o seu estado, sua cidade, sua casa e alguém sentado na poltrona, com a fatura do cartão de crédito na mão. É você, e está apavorado. Nada do que você aprendeu na escola serve para sobreviver neste circo de horrores que é a vida financeira de um brasileiro nos dias que seguem. Nossas escolas de ensino fundamental não proporcionam os rudimentos de educação financeira tão cara a todos nós, no decorrer de nossas vidas. Independente do grau de instrução, da condição social, do meio e local em que vive, o conhecimento de alguns tópicos de finanças pessoais são essenciais para a tranqüilidade e o bom humor, já que o bolso é tido como a parte mais sensível do ser humano. Mas que tópicos seriam estes?
Para começar, um pouco de matemática financeira, para poder entender como funcionam os juros e como calculá-los ao longo do tempo. Esta palavra, juros , que no Brasil é capaz de arrepiar os cabelos de um careca, nada mais é que a remuneração do capital. Assim é bom entendermos de investimentos, o que nos colocaria do lado certo da equação. Do lado de quem recebe os juros pelo investimento e não de quem paga pelo empréstimo. Para dispormos deste capital para investir, só existe um meio: poupando. Então temos que absorver essa cultura da poupança e efetivamente poupar, e para isso contamos com nossa capacidade de organização que elaborará um planejamento financeiro, utilizando ferramentas consagradas como os velhos lápis e papel. Temos que ter objetivos a serem alcançados, e ter apontado tudo o que recebemos e tudo o que gastamos como um velho bolicheiro sovina e ir acertando e consertando nossos gastos em direção à meta de poupança. Valerá a pena. Com o tempo teremos o controle de nossa vida financeira, poderemos fazer planos para o futuro, sonharmos acordados e com os pés no chão, mais do que isso, realizar o sonho. Saberemos também quanto o governo tira de nossos rendimentos em impostos para realizar todas as maravilhas que nos oferece em troca de nosso sangue.
Com o conhecimento de como as coisas funcionam nesta área econômico/financeira, será bem mais difícil cairmos em armadilhas no dia-a-dia, seja nas transações bancárias, com cheque especial, cartão de crédito, nas lojas com as compras a crédito, no aluguel, na compra da casa própria, nas vendas casadas, nos seguros. Mesmo na nossa vida fora desta área estaremos mais protegidos contra vigaristas de todos os tipos, mesmo os ideológicos que roubam nosso voto, como os religiosos que surrupiam nosso dízimo.
Jackson Busato
Economista
jackson.busato@terra.com.br