O Endividado
18 de Janeiro de 2010.Quando somos adolescentes e mesmo durante a juventude, queremos tudo. Não sei se é certo, mas realmente pensamos com essa clareza. O tempo passa e descobrimos que não podemos ter tudo. A clareza da juventude sofre o embaçamento de alguns obstáculos que pensamos intransponíveis. Passados mais uns anos e descobrimos que sempre tivemos tudo, exceto essa consciência. Quanto vale esse naco de sabedoria? Vale exatamente todo o dinheiro que você acha que precisa para ter paz de espírito. O Dinheiro, sempre o dinheiro... extremamente importante quando falta. Dentre os vários tópicos que um cardiologista elencaria como essenciais para levar uma vida saudável evitando o enfarte de cada dia, certamente está o equilíbrio financeiro. Nosso cardiologista não diz que precisamos ser ricos nem fala em padrão de vida. Fala em qualidade de vida. Até porque ser rico não significa estar equilibrado financeiramente, aliás, muitas vezes é justamente o contrário. Estamos divididos em três tipos nas nossas aspirações: ser, ter e parecer. Existem aqueles que buscam ser. Empenham todos seus esforços no desenvolvimento pessoal, com foco no crescimento intelectual, cultivando mais seu potencial humano, podendo ter efeitos econômicos enormes ou nenhum, mas mesmo assim, colaterais. Outros dedicam sua existência a ter. Perseguem o dinheiro com gana, sem desviar seu olhar para coisas que não engordem seu porquinho. Tudo passa a ser secundário: Família , amigos, lazer, saúde, vida.... Sentimento dominante: ganância.
O terceiro tipo é aquele que não é algo e nem tem nada, então ele dá um jeito de parecer ter. Isso é fácil, qualquer banco financia. É possível morar bem, andar num bom automóvel, viajar, viver muito acima das posses. Por algum tempo. E é bom, não é mesmo? É impressionante a velocidade com que nos viciamos em vida de rico. O sujeito mal saca o crédito no banco corre pra loja e sente que nasceu para aquilo. Parece que foi criado entre a Wall Street e a 5ª Avenue. Basta uma excursão num saveiro e a vida já não tem graça em terra firme. Se o governo tirou o IPI, é impensável não comprar um carro, mesmo comprometendo a renda por 5 anos. Como disse, isso é fácil e o banco financia. O difícil é cair na realidade. Eu disse cair? Despencar para a realidade, então. Se você acha que é difícil ficar rico, ser pobre é pior. Com todos os apelos para gastar fica muito difícil manter equalizadas a receita e a despesa. As facilidades oferecidas em produtos de crédito para consumarem a sedução do marketing são irresistíveis. O produto final de tudo isso é o famoso astro nacional: o Endividado.
Jackson Busato
Economista
jackson.busato@terra.com.br