Eduque-se financeiramente
Sempre houve, nas sociedades livres, uma ascendência do poder econômico sobre o poder político. O poder econômico “puxa os fios”, como se costuma dizer, numa alusão ao fato de que as decisões políticas são orientadas pelos interesses econômicos. Quero dizer que o poder econômico somos todos nós, sociedade brasileira, empregados, patrões, empresas, autônomos, desempregados, estando organizados em maior ou menor grau. Existem portanto, conflitos de interesses que após equalizados, são apresentados como demandas ao governo. Esse poder do setor econômico decorre da força produtiva. É o sustentáculo, o gerador de riquezas. O mantenedor. É quem põe comida na mesa. Sendo assim, é ele quem manda, ou deveria ser. Mas não no Brasil. Vivemos hoje e já há algum tempo, um outro momento. Um momento estranho. Temos uma contenda onde, de um lado está o Estado alinhado ao setor financeiro e do outro os setores produtivos da sociedade. Temos a hegemonia de dois setores não produtivos sugando as forças que deveriam ser orientadas para gerar riquezas e bem estar para a sociedade, canalizando estes recursos para a gastança governamental e os lucros gigantescos do setor financeiro. No Brasil, a pulga está ficando maior que o cachorro!
O Governo aumenta a taxa básica de juros para captar recursos para financiar seu déficit e comprimir qualquer pressão inflacionária. Com isso drena boa parte das disponibilidades do mercado, retirando mais ainda através dos depósitos compulsórios que os bancos são obrigados a deixar no Banco Central. Assim, dos recursos que deveriam ser colocados à disposição das empresas e particulares, sobra pouco, e quando o dinheiro é raro, ele é caro, como tudo. Oferta e demanda. Além disso, o Spread, um dos componentes da taxa de juros que nós pagamos no mercado financeiro e que remunera o risco, vai às alturas. Como a taxa Selic, a taxa básica definida pelo governo, já é alta, o risco já começa alto. Rico alto, taxa mais alta. Taxa alta, risco maior. Que Deus nos proteja!
São estes recursos que vão para o governo que deveriam financiar a expansão de empresas, gerando emprego e renda. É o juro alto aliado ao imposto alto que aumenta o preço dos bens, reprimindo a demanda, diminuindo a produção, o emprego e portanto , a renda. Usa o governo, como razão das altas taxas de juros, o controle da inflação. Ocorre que os preços administrados, muitos deles controlados pelo governo, são os únicos que aumentam de forma continuada, assim, a pouca inflação existente é gerada pelo governo. Os preços dos bens e serviços sujeitos às regras de mercado, à concorrência, quando sobem, geralmente tem a função de ajuste a um novo patamar de custos imposto pelos preços do governo, ou aumento na carga tributária. Alguém pode estar se perguntando a razão de tal preleção ou mesmo partindo direto para “Mas o que é que eu tenho com isso?”. A resposta é: tudo. A educação financeira é a única maneira de nos protegermos contra estes piratas que sistematicamente invadem nosso orçamento. Através dela podemos separar o possível do impossível. O que é promessa com intenção realizável ou uma simples mentira. Um bom negócio de uma armadilha. Nossa falta de educação financeira elege maus políticos e suas promessas enganosas de mais gastos do governo com menos impostos. Depois nós descobrimos que ele “se enganou” e inverteu a equação. Acreditamos em doutrinas e seitas onde o bolo de um quilo vai ser distribuído em dez fatias de meio-quilo. E isso vem acontecendo há muito tempo e antes que a tragédia fique maior, temos que nos preparar através da educação.
A verdade é que, nós cidadãos, estamos sozinhos nesta luta. Aqueles que deveriam nos proteger são os primeiros a buscar seus próprios interesses corporativos. Nós temos visto o que acontece na política como disse antes, onde temos a impressão(correta) de que aquelas pessoas vivem num mundo à parte, fantasioso, onde tudo é possível, desde que nós paguemos a conta. Vemos sindicatos atuando como meros apêndices de partidos políticos, para usar um termo antigo, numa “peleguice” há muito não vista. Entidades de defesa do consumidor que não funcionam por falta de meios. E se depender do judiciário, se o reclamante não for bem jovem, provavelmente não verá o fim da ação. Ah, e se a ação for contra a União, Estado ou Município, esquece. Por tudo isso, temos que tomar as precauções para não entrar em fria, porque depois, para recuperar é muito oneroso, quando consegue.6-8-2005
Jackson Busato
Economista
jackson.busato@terra.com.br