CRÉDITO MAIOR
19 de Julho de 2010.
O volume de crédito no Brasil aumentou significativamente, não só em valores absolutos, mas relativamente ao Produto Interno Bruto. Com a crise de 2008, o governo enxergou algumas saídas para a difícil situação que se avizinhava. Além da saída de cunho Keynesiano de acelerar os gastos do governo para fazer girar a roda da Economia, a expansão do crédito foi uma segunda força a entrar nessa arena de números gigantes. Alguns fatos positivos destacam-se nas medidas e talvez o principal seja que o país atravessou a crise incólume, saindo do embate com pouquíssimos arranhões. Outro fato positivo, e por sinal pouco falado, é que ao baixar as alíquotas de IPI, houve um aquecimento enorme nos setores abençoados com a medida, como automobilístico, linha branca e móveis. Claro que isso fez com que muita gente se pergunte se a elevada carga de impostos não é prejudicial a economia, restringindo a produção e consumo, encarecendo a manufatura, tirando competitividade da indústria nacional, sobretaxando o produto final, tirando do mercado significativa parcela da população. Ficou clara a resposta do público a redução de impostos. Como fatos negativos nas medidas podemos falar que o aumento de gastos do governo gera desequilíbrio nas contas , consome reservas e o tipo de gasto gerando novos empregos públicos permanecem mesmo passada a crise. Incorporam-se para sempre e só podem ser mantidos gerando mais arrecadação governamental. É extremamente saudável o aumento do nível de emprego quando se dá pela iniciativa privada mas perniciosa quando pelo setor público. Significa impostos maiores a frente. Para fazer com que a demanda não estanque, é facilitado o crédito, inserindo consumidores de baixa renda, desavisados das armadilhas e requisitos de controle para seu uso saudável. A expansão do crédito trouxe um maior nível de inadimplência e ainda nem sequer chegamos a um terço dos prazos dados para compras mais vultosas , como os automóveis. Muita gente comprou bens com prazos longos chegando no limite de suas forças no momento. Qualquer percalço no caminho é certeza de atraso nas prestações e sem uma recuperação rápida, é mais um inadimplente e mais um bem a ser tomado pela instituição financeira. Quem sobreviver, verá.
Jackson Busato
Economista
jackson@vidanoazulcom.br