Clube de Investimento
 

                                                                                                                   23-2-2006
 

Quanto mais desenvolvido é um país e, portanto, sua economia, mais força tem o conceito de investimento entre suas gentes. Aqui no Brasil estamos caminhando para alcançar essa cultura. Hoje,  todos temos presente que se não pouparmos e investirmos, poderemos ter surpresas desagradáveis quando chegar a hora de nos aposentarmos pelo sistema estatal. Quem não se aposentar numa empresa que tenha estabelecido um fundo de aposentadoria, um sistema de previdência privada, deve preocupar-se com isso. Existem várias formas de investir. Perfil mais conservador ou mais arrojado, isso depende do gosto do investidor. Renda fixa versus renda variável. Mais segurança, menos risco. Maior risco, maior possibilidade de lucro ou perda. No longo prazo, as ações têm demonstrado ser um investimento de alta lucratividade e tem atraído pessoas que tradicionalmente optariam por investimentos de perfil conservador, como donas de casa, aposentados, trabalhadores de comércio e indústria. Essas pessoas obviamente não são a imagem acabada do especulador, o investidor de curtíssimo prazo, que entra e sai do mercado com grandes lucros e prejuízos. Não, o investimento deles, em ações,  contempla fatores como maturação, liquidez, solidez e baixas taxas de administração. Nos últimos anos surgiu a figura do Clube de Investimento, e é por aí que o caminho se abriu a esse novo investidor. Grande sacada, aliás. O que vem a ser isto?  Um grupo de pessoas se reúne e investe conjuntamente no mercado de ações, através de uma administradora, seja uma corretora cadastrada na Bolsa de Valores de São Paulo, uma distribuidora ou um banco. Como essa reunião aumenta o volume investido, diminui a taxa de administração e as despesas em conseqüência do rateio. Essa administradora fará toda a parte burocrática e redigirá os estatutos, que são as regras de funcionamento conforme decidido por seus membros em assembléia, guardados os limites legais. O sócio do clube adquire cotas sobre o total investido pelo clube. A cota é o valor unitário em que está dividida a carteira de ações e títulos do clube. Entre as normas de funcionamento estão o valor de cada cota, o número total de cotas, o número de cotas mínimas exigidas para entrar no clube, tempo de duração, taxa de administração, composição da carteira, tipo de ações a serem compradas, prazo mínimo para o sócio deixar o dinheiro aplicado, regras para novos participantes, cobertura de despesas, que medidas tomar em caso de morte ou invalidez. Um clube pode ter no máximo 150 participantes e nenhum membro pode deter mais do que 40% do total de cotas. Sua carteira deve ter no mínimo 51% de ações, podendo no restante ser composta por outros títulos, como renda fixa, por exemplo. Todas as decisões e modificações são, necessariamente, frutos de uma assembléia geral, com decisão no voto.
Em geral os clubes reúnem pessoas de uma mesma profissão ou grupos de interesses comuns e tem tido um grande crescimento no país. Aos poucos vai se firmando a idéia de que nossa poupança deve gerar crescimento para o país e isso é feito através do investimento na força produtiva. Ao comprar uma ação, estamos nos associando a uma empresa, ajudando a financiá-la e a ser competitiva, já que cada real investido em ações é um real que ela deixa de pedir ao banco com seus juros pesados. O que acontecia nos EUA e na Europa já há muitos anos, passa a acontecer aqui hoje: as pessoas dão preferência ao consumo de produtos de cujas empresas tenham ações. Aparentemente não quer dizer muito, mas no fundo significa a consciência de fazer parte daquela atividade produtiva como investidor capitalista e a justa preocupação com seu investimento.
 

Jackson Busato
Economista
jackson.busato@terra.com.br