CARTEL NA CONSTRUÇÃO
21 de Junho de 2010.
Muitas vezes as medidas tomadas pelo governo no sentido de fomentar a industria da construção civil são neutralizadas por forças de outra ordem que precisariam ser combatidas. Enquanto os juros menores para a aquisição da casa própria atraem milhões de pessoas que realizam este sonho, os preços disparam. A primeira vista pode parecer simplesmente uma questão de mercado, de alta demanda, de oferta e procura, já que seria de se esperar que o aquecimento forçasse os preços dos imóveis para cima. Mas tem mais coisas aí no meio. As construtoras têm poucas opções de fornecedores de seus insumos. Quase todas as compras são feitas com os preços ditados por poucos fornecedores tranqüilos e cientes de que seu cliente não tem saída. Tem que comprar de qualquer jeito para se manter no negócio e pelo preço imposto. Não tem barganha. Não tem concorrência. Existe uma coisa, proibida por sinal, caracterizada como cartelização destes setores, que impede a livre concorrência de preços, onde seria beneficiado, em última instância, o consumidor, o comprador da casa própria. Toda a vantagem de juros baixos e economia de escala propiciado pelos programas de financiamento da casa própria é tirado do cidadão para terminar no caixa das grandes empresas controladoras de setores inteiros da indústria que mais emprega no país, a mais distributiva. Uma saída seria a uma maior abertura de importação através da retirada dos impostos para forçar a concorrência e os preços para baixo, mas os lobbies, entre outras coisas impedem. Estamos falando de muito poder de fogo. Até já foi tentado algo neste sentido, mas coisas estranhas acontecem. Poderíamos falar de pressão popular, mas como sempre, o maior interessado nisso, não faz a menor idéia do porque paga tanto para ter seu canto. Não se fala sobre estas coisas e a ignorância é a espoleta da felicidade do cidadão. Sua função no universo é apenas endividar-se e envidar seus dias e noites em pesadas prestações mensais, para sempre, até que a morte os separe.
Jackson Busato
Economista
jackson.busato@terra.com.br