CASADOS
 
 
                                                                                                                    2-3-2006

O que é o que é? O casado sabe por experiência e o solteiro pensa que sabe? A resposta é óbvia. Os casados conseguem juntar mais dinheiro que os solteiros. Quem pensou outra coisa é porque foi solteiro há muito, mas muito tempo.
Uma pesquisa feita nos Estados Unidos demonstra que o casal tem melhores condições de organizar-se financeiramente que um solteiro ou divorciado. Se alguém estava pensando em usar esta desculpa para cair na estrada, esta pesquisa arrasou com os argumentos. Um solteiro, aquele que nunca casou, entre os 41 e os 49 anos consegue aumentar seus rendimentos em pouco mais de 5 vezes, já os casados multiplicam por 10 sua renda no mesmo período, na suposição de que os dois trabalhem. Mas porque isso acontece? Certamente não é pela razão ironicamente colocada por Oscar Wilde que dizia: “Os solteiros deveriam pagar impostos mais altos. Não é justo que alguns homens sejam mais felizes que outros”. As razões são outras, até porque Wilde não era deste ramo. A verdade é que o casamento proporciona uma divisão nos custos, sendo o de moradia, provavelmente o mais comum. Muitos casais têm um automóvel servindo aos dois, reduzindo os custos de um carro adicional, o que, para uma pessoa solteira ficar sem carro, complicaria a vida. O custo de um automóvel, por pouco que rode, representa muito dinheiro depois de investido. Um exemplo rápido: se alguém tem um carro popular, econômico, ao redor de R$ 25.000,00, de saída deixa de ganhar com esse capital, se aplicado, R$ 250,00 por mês. Se rodar 1.000 Km por mês, terá uma despesa em torno de 350,00. O automóvel mais esses R$ 350,00 aplicados mensalmente por 10 anos renderiam R$ 163.023,21. É isso que o casado terá a mais que o solteiro neste quesito. Os custos de moradia de casado se reduz muito, variando com o padrão de vida, mas suponhamos que economizem entre luz, água, condomínio, aluguel ou prestação, telefone fixo, faxineira, taxas, mais R$ 700,00 por mês. Em 10 anos sobrou mais R$ 161.027,08.  Só estes dois itens já dão ao casal uma renda extra de R$ 3.240,00. A soma de forças do casal na poupança gera um maior poder na hora de investir, conseguindo taxas melhores. É claro que a vida de solteiro tem ainda outras implicações, como o lazer fora de casa, a vida noturna, os bares, restaurantes, viagens, convites freqüentes, a vida social vibrante, aquele horror que todos conhecem. E gastando muito. Nada que se compare às emoções na frente da televisão. E poupando. Tudo tem seu preço. Por falar nisso, tem uma coisa de que não falamos. Filhos. Essa poupança toda dos casados, lá pelas tantas começa a ser canalizada para a educação dos filhos. Toda esta vantagem pode virar pó se o casal não planejar a chegada dos filhos e limitar seu número as reais possibilidades. Uma assessoria paulista calcula que um filho que passe dos vinte anos dentro de casa, do berço à universidade custe R$ 500.000,00. (Graças a Deus, lá em São Paulo). Os solteiros, a princípio não têm filhos, mas os divorciados têm. Segundo a pesquisa, o caso pior é o do divórcio. O patrimônio do casal começa a diminuir quatro anos antes do divórcio, e diminui em 77% enquanto o patrimônio dos casados pombinhos aumenta em 93%. Passado o furacão e o desmanche, ao final dos impropérios, no entanto, a situação emocional se estabiliza e o patrimônio volta a crescer.
Essa vantagem dos casados só funciona com a condição de o casal jogar como um time. Além de dividirem uma relação afetiva tem que colaborar nas decisões e planejar o futuro em parceria. Tudo isso terá reflexo no sucesso financeiro almejado. Não adianta, para o que estamos falando, o casal ter vida financeira independente, ou como é muito comum, ter a vida financeira como elo do casamento, e viver brigando.
Eis alguns pressupostos para que esta batalha seja ganha pelo casal:

1. Sinceridade;
2. Objetivo Comum
 3. Planejamento e Controle
4. Reuniões Freqüentes
5. Decisões Por Acordo
6. Individualidade  Preservada
7. Negociação



 

Jackson Busato
Economista
jackson.busato@terra.com.br