A BOA INFIDELIDADE

 

É comum é que nos acostumemos a comprar no supermercado perto de casa, no açougue do conhecido, na loja que nos ofereceu um cartão, enfim, nos tornamos fiéis, seja por marketing, preguiça ou hábito. Para ser um bom comprador, o segredo é a infidelidade. Correr atrás de preços é uma obrigação extremamente saudável para o bolso. Temos sempre que estar de olho no mercado. São muitas as estratégias que as lojas utilizam para atrair clientes e entre elas estão as ofertas, e é aí que podemos tirar algum proveito. As lojas e supermercados colocam em oferta alguns produtos de consumo de massa, que quase todas as pessoas utilizam, atraindo o maior número de clientes para que consumam, juntamente com as ofertas, aqueles produtos que lhes dão mais lucro, de maior valor. Quando o estoque de um produto é muito grande e o prazo de validade se aproxima, vai para a oferta. É preciso cuidado para não comprar além do que vai consumir até esgotar-se o prazo de validade. Um preço atrativo pode ter origem em outras circunstâncias, até mesmo ilícitas, como sonegação fiscal, dumping (vender abaixo do custo para quebrar o concorrente), contrabando, roubo de cargas. Outras lícitas como, por exemplo, decorrente de uma estratégia de ampliação de mercado de uma marca ou um ponto de venda onde fabricante e varejista se associam num plano de marketing. Tem um limite para e estratégia de venda. É preciso ficar de olho, porque milagres não existem, pelo menos nesse ramo. Contribuir para a pirataria pode dar muita dor de cabeça, mas pior do que isso, é que ao comprarmos esses materiais, estamos matando o futuro econômico de nossos filhos, enriquecendo bandidos, desempregando pessoas honestas, alimentando a violência, dando poder às máfias, criando barreiras ao Brasil no comércio internacional, financiando o tráfico, além de levar porcaria para dentro de casa. Tudo isso é o que fazemos ao comprar um CD ou um DVD no camelô, que em razão da péssima qualidade do produto, pode avariar o leitor ótico do aparelho.
Do que podemos nos utilizar para pesquisar preços?
Nos anúncios de jornais todos os dias aparecem as ofertas do dia de uma loja ou outra de supermercados, ou panfletos que são distribuídos nas portas das lojas. Com o tempo ficamos sabendo o melhor dia de comprar, já que muitos obedecem a uma rotina que é acompanhada e replicada pelo concorrente, porém em dias alternados.
Rádio e televisão bombardeiam ofertas o dia inteiro. É só ir juntando informações para quando chegar a hora de comprarmos o que precisamos, sabermos aonde ir. A verdade é que esse bombardeio, com o tempo, vai deixando-nos insensíveis aos apelos. Simplesmente ficamos cegos e surdos à propaganda em razão da poluição visual e auditiva e da nossa incapacidade de absorver tanta informação. Daí a briga nos meios publicitários em busca de originalidade, algo que chame a atenção do consumidor. Por isso é preciso treinar a atenção para triar o que interessa.
Os Classificados são um excelente meio de situar-se a respeito dos preços de muitos bens, principalmente para usados. Não serve para bens de consumo, mas serve para uma gama enorme de bens e serviços de maior ou menor valor, dando um bom respaldo em função do comparativo em cima das inúmeras ofertas. Quando não encontramos alguma coisa nos classificados, é possível que ali esteja uma boa dica para iniciar um negócio. Sinal que alguma coisa está faltando no mercado.
Cartões de lojas são muito práticos, mas lembre-se que eles servem para acomodá-lo àquele fornecedor, capturar sua fidelidade e tirar-lhe a maior arma de comprador que é a pesquisa de preço e a pechincha. O cartão retira esse poder do consumidor. Viva a infidelidade!
 

  30-3-2006
 

Jackson Busato
Economista
jackson.busato@terra.com.br