13 de Agosto
O que será que leva uma pessoa a escolher uma profissão em vez de outra? É uma perguntinha intrigante que eu fiz a um amigo e ele respondeu que as pessoas acabam se especializando nas suas deficiências e até me deu o exemplo de presidiários que estudavam direito para ajudarem em seu próprios casos. Saíam da cadeia já advogados criminalistas. Meu amigo era psiquiatra, mas acho que ele nunca rasgou dinheiro, até porque dentro desta ótica, seria atribuição de um profissional de finanças. É claro que este exemplo não serve para tudo, senão vamos pensar que toda freira foi uma devassa, todo médico passou a infância na UTI e todo engenheiro era homem-bomba. É claro que existe a vocação e deveria ser esta a diretriz, mas as pessoas tem que decidir suas profissões cada vez mais cedo, pelo menos os poucos que ainda podem, já que a maioria reza para ser escolhido para ter como sobreviver. Os cursos universitários são definidos mais pela promessa de remuneração do que por vocação. Nossa sociedade tem dado muita visibilidade aos ricos e famosos e nenhuma ao conhecimento. Quando noticiam um Prêmio Nobel dão mais ênfase ao valor do prêmio do que à razão daquele prêmio e seus desdobramentos. Nada mais natural que ao perguntar a um adolescente o que ele quer ser, ele dirá: rico e famoso. “Ah, esse vai ser economista! - diriam alguns- Vai trabalhar com muito dinheiro e viver dando entrevistas na TV.” Na verdade, não funciona exatamente assim. Sempre que tem uma crise nova, um economista é chamado para explicar. Sempre que a crise é debelada, algum político corre para noticiar, com um sorriso consagrador. Se alguma decisão tomada em função de um dos cenários desenhados mostrar-se equivocada, chama o economista para se explicar. Defeito na bola de cristal. Quando a Inflação tinha ares de dragão, o economista era visto com um Siegfried, o Hércules capaz de domar a fera. Depenado o réptil, aparece para alguns como um São Jorge tranquilo, repontando a lagartixa, com o cavalo gordo descansando na sombra. Está chegando dia 13 de Agosto, dia do Economista, e se alguém perguntar, é apenas um profissional que estuda as relações econômicas e suas implicações, e sabe o que isto quer dizer? Quase tudo. Quase nada escapa a isto. Tem um conhecimento multidisciplinar que se bem utilizado, pode antecipar situações econômicas, e tem um espectro profissional extremamente amplo, sendo figura presente na iniciativa privada e pública . Vida longa aos economistas, que tiveram sua regulamentação profissional em 13 de Agosto de 1951 e com apreensão, digo isto num momento em que a formalização, a regulamentação, o método, a disciplina parecem estar caindo em desuso, até porque elas induzem a coisas ultrapassadas na visão de alguns, como ética, profissionalismo, rigor técnico e responsabilidade. 13 de Agosto, uma quinta –feira. Ufa!
Jackson Busato – Economista
Porto Alegre, 6 de Agosto de 2009.