PROJETOS DE EDUCAÇÃO FINANCEIRA
15 de Março de 2010.
Felizmente está havendo no Brasil um movimento em prol da educação financeira nas escolas. Projetos de lei para levar o conhecimento econômico pessoal ainda no ensino fundamental, estão sendo elaborados em vários estados brasileiros, fruto da luta de muitas pessoas e em especial dos profissionais que militam há muitos anos nesta área ainda incipiente no Brasil. A necessidade de cursos que ensine o jovem a administrar sua vida financeira obviamente não é de hoje, mas o grito de alerta é recente. Muito da inadimplência dos adultos de hoje é decorrência da indisciplina com o dinheiro, da desarmonia entre receita e despesa, que deveria ter sido imunizada na educação da juventude. No nosso país, que vem de inflação alta para a estabilidade, de juros altíssimos, de impostos escorchantes, é muito difícil posicionar-se sem perder alguma coisa, sem desviar o caminho do equilíbrio financeiro. Esperamos, agora que estes projetos transformem-se em lei e que comece essa parte importante da formação do cidadão. Fala-se muito em cidadania e esse desgastado nome é usado para os mais abjetos fins, mas a verdade é que o cidadão tem que reconhecer e lutar pelos seus direitos, e não receber de mão beijada todas as esmolas governamentais como a benção do pai protetor estado que lembrou do filhinho enjeitado. Isso não é cidadania. É politicagem da mais rasteira, é compra de votos que os governos dos mais diversos matizes e países se utilizam para anestesiar a inconformidade. A educação financeira trará á luz essas mazelas e com o tempo, o brasileiro saberá como as coisas funcionam, de onde sai o dinheiro para financiar o desenvolvimento, para onde vai o imposto que está pagando, quanto custará ao país cada vez que se abre os cofres numa eleição, porque ele saberá quanto custa cada real que sairá do seu bolso. Isso tudo porque seu planejamento pessoal é afetado diretamente pelas políticas adotadas pelo governante de plantão. Cada aumento de imposto, cada modificação na taxa de juros, o porque das diferenças das taxas, o que significa no longo prazo, cada um desses diversos pontos tem influencia direta no nível de vida e quando a maioria tiver esta consciência, teremos finalmente esta tão decantada cidadania, como nos países desenvolvidos, onde o cidadão tem voz porque ele sabe quem é e o que está falando.
Jackson Busato
Economista
jackson.busato@terra.com.br