DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS
15 de Fevereiro de 2010.
Realmente neste atual Brasil é impossível morrer de tédio. Nas semanas que passaram recentemente, duas idéias foram lançadas durante o Forum Social Mundial. Em primeiro lugar a obrigatoriedade de distribuição de 5% do lucro das empresas aos funcionários. A outra idéia é a de enquadrar a terceirização como emprego formalizado, ou seja, pagando os encargos sociais. Essas idéias merecem e serão analisadas com cuidado, pelo quanto representam de atraso e de como a demagogia pode influenciar nossas vidas quando a próxima eleição é sempre o norte do governante. O candidato e o estadista habitam a mesma mente, mas não o mesmo espaço. Mais de candidato, significa menos de estadista, e vice-versa. Ao obrigar a empresa a distribuir 5 % de seus lucros, o governo estará apenas criando um imposto. Alguns funcionários poderão se beneficiar com o lucro da empresa se e quando ela der resultado. Mas qualquer um que já parou para administrar qualquer coisa sabe que imposto é custo e deve obrigatoriamente ser repassado ao consumidor. Por uma eventual distribuição de lucros aos funcionários, que pode inclusive sofrer manobras contábeis, inclui-se nas planilhas de custos de todas as empresas, ou seja em toda a economia, mais essa alíquota, onerando como sempre, o consumidor final. Claro que isso será devidamente propagandeado como distribuição de renda, principalmente em ano de eleição. Na verdade mais um prego no caixão da livre iniciativa brasileira que já sofre uma carga tributária de país rico em troca de conversa fiada e discursos socializantes, em palácios sempre servidos por garçons mal pagos e com o dinheiro de quem não tem nem posto de saúde para morrer. Os empresários se perguntam se em caso de prejuízo, também será distribuído o resultado. Eu não consultei os gênios progenitores dessa idéia, mas posso afirmar em seus nomes: Não. É claro que não. E a razão é que isso pegaria mal na propaganda eleitoral e além disso isso seria justiça e ninguém está interessado nisso. A justiça que interessa é a social, ou seja é justiça com sobrenome, com adjetivo, com explicação, com segundas intenções. A verdadeira justiça não precisa de legenda.
A distribuição de lucros entre os funcionários, é um instituto usado há décadas em muitas empresas, como forma de fomentar e premiar o desempenho, a lucratividade, os resultados de equipe. No momento que isso é obrigatório, cessa qualquer atratividade da ferramenta, principalmente entre empresas que usam de tal instituto. Essa é a lógica que transformou todos os países socialistas no que por fim se tornaram. As favelas do mundo. Taperas de civilizações pujantes que encontraram na tábula rasa do discurso fácil do socialismo, a fórmula mais eficiente da auto-destruição
Jackson Busato
Economista
jackson.busato@terra.com.br