CARTÕES EM SUPERMERCADOS


                                                                                                      21-12-2009
 

Atualmente muitas pessoas estão usando o cartão de crédito para compras em supermercados. Significa muitas vezes cartão de crédito para comprar comida. Usando o dinheiro de plástico como apenas um meio de pagamento mais prático, é normal e até saudável, tanto pela segurança pessoal como do lojista. O problema está no fato de que muito consumidor não tem pago a totalidade da fatura destas compras de alimentos, caindo no rotativo do cartão e por conseguinte numa das mais altas taxas de juros do mercado. Uma coisa é comprar um bem durável em prestações, cujas compras são eventuais e extemporâneas, outra é parcelar bens de consumo, perecíveis que temos que comprar todos os dias. Se parcelarmos, ou pagarmos apenas o mínimo de 20% que permite o cartão, significa que estamos inadimplentes para a subsistência, ou seja estamos comendo o salário de meses seguintes. Tecnicamente estamos em inanição. Se calcularmos veremos que em 7 meses estaremos pagando o valor total que parcelamos apenas na entrada, significa que os 20 por cento a serem pagos como mínimo do cartão lá pelo sétimo mês é igual aos 100% do primeiro mês. Daí para diante não teremos como comprar comida. O resto é juro. O cartão de crédito é um crédito pré aprovado que está sendo disponibilizado a pessoas com renda muito baixa, menos que o salário mínimo. O perigo destes consumidores endividarem-se é muito grande, já que não dispões de meios , nem conhecimento, nem educação financeira para saber o que é um rotativo de cartão, o que representa um juro deste produto, e que num futuro muito breve perderá sua capacidade de compra por estar incluído nos cadastros de maus-pagadores além de ficar devendo o que não tem por conta de juros astronômicos. As vezes é de se perguntar se um juiz que normalmente absolve aqueles que furtam para comer, o que realmente tem acontecido, como solucionaria, ou que veredicto daria para alguém que perde sua capacidade de compra em função de juros escorchantes como são, decorrentes do parcelamento na aquisição de alimentos para subsistência. Será que um cidadão deixaria de comprar algo para saciar a fome dos seus por não ter dinheiro no momento, com crédito a disposição? Seria ético condená-lo por isso? Não será ele apenas mais uma vítima do marketing agressivo das corporações, que sabe que pobre paga as contas em dia, sob o maior sacrifício? É de pensar.

Jackson Busato
Economista
jackson.busato@terra.com.br