Automóvel por dívidas
23/11/2009
Uma das formas de sair de uma dívida ou minimizar os custos, os juros, é refinanciando o seu automóvel. Troca-se um juro maior, de um cartão de crédito, por exemplo, pelo juro cobrado no financiamento do carro, bem menor. Temos visto de um tempo para cá, um aumento na demanda de automóveis em função de incentivos governamentais, como na redução do IPI, assim como a própria industria automobilística começou a facilitar a aquisição, tanto na forma de facilitar a entrada quanto nas taxas de juros. Às vezes nem tem entrada, em outras o juro é zero, claro que está embutido, mas este é outro assunto. Muitos cidadãos que vinham com dívidas crescentes, optaram por fazer uma operação que a princípio faz todo o sentido. Venderam seus automóveis diretamente, conseguindo um valor um pouco maior do que na revenda e financiaram carros novos a perder de vista, dando um mínimo na entrada do financiamento. Com o produto da venda, quitaram suas dívidas com cartões , cheques e guardaram dinheiro para futuros compromissos. Até aí tudo bem, pois o correto é trocar dívidas com taxas grandes por pequenas. O problema é que muitos destes vinham, como disse antes, com dívidas crescentes, e é preciso saber se com esta operação o orçamento ficará equilibrado. Será que o aumento da dívida era somente em função dos juros? Será que mesmo retirando os juros, esta dívida não continuará crescendo? E as novas prestações do carro, antes inexistentes não serão maiores que os juros eliminados? São perguntas que devem ser feitas pelos novos proprietários do sonho de consumo brasileiro. Será que por trás de tudo isso, desta fachada de operação de crédito consciente, não está apenas um impulso consumista, ou seja, era apenas uma desculpa para comprar um carro novo, mesmo estando endividado, e depois ainda dizer que foi o consultor financeiro que mandou ele trocar seu veículo por que teria vantagens? A verdade é que as ruas estão entupidas de automóveis novos e hoje esta operação fica um pouco mais difícil em função da dificuldade de vender diretamente um carro usado diretamente, já que este mercado está congestionado. Tem excesso de carros usados para vender. Aliás, quem realmente quer trocar de veículo, tem aí uma boa oportunidade se tiver o valor para pagar a vista. Bons negócios com automóveis de 1 ou 2 anos, ainda novos e com a desvalorização inicial, a maior, já amortizada. Ganha em torno de 20% na compra. Praticamente andará de graça por um bom período.
Jackson Busato
Economista
jackson.busato@terra.com.br