2012
30/11/2009
O consumo familiar no Brasil tem sido um alento nas contas do governo. Medidas como a baixa da taxa selic, redução do IPI tem demonstrado serem ferramentas de política econômica extremamente eficazes quando se trata de dar um certo equilíbrio ao panorama econômico nacional. O IPI reduzido, a princípio para automóveis gerou um aquecimento do setor que surpreendeu aqueles que achavam que tempos muito difíceis viriam para a nossa indústria automobilística. A redução de IPI para os móveis, certamente aquecerá este outro setor, aliás importantíssimo para o RGS. Aliada a uma taxa de juros menor, essas medidas são o suficiente para não deixar esmorecer as transações em setores chaves da economia. Mas algumas coisas temos a observar. A redução de impostos não chega a ser irresistível, se pensada com calma e máquina de calcular na mão. Ao reduzir o IPI, desencadeia-se um bombardeio de propagandas que induzem o cidadão a correr para as lojas e fazer logo sua compra, afinal, a redução é pontual e não vai durar para sempre. Para quem, como o povo brasileiro que está sempre um ponto abaixo da linha de conforto, encontra ai um apelo dramático a sua condição de sub consumista. Se compararmos os preços com os praticados antes da redução de IPI notamos uma diferença em favor do consumidor que, no caso dos automóveis, se evapora no preço avaliado do seu carro usado dado como entrada. Além dos descontos de preço que a revenda dava antes e que agora não existe em função do mercado aquecido. Quanto a Taxa Selic de um dígito, uma verdadeira proeza no Brasil, seria uma coisa maravilhosa para o consumidor e para a economia em geral se o spread acompanhasse. Não é verdade. Continua alto e os bancos continuam com um lucro enorme em cima da falta de opção e de poupança do povo brasileiro. O que se nota é que existe um componente muito forte de expectativa, de marketing mesmo, em cima destas medidas que conferem seu sucesso, mais do que ganhos reais aos consumidores, que como já disse antes, ao menor sinal de oferta, de medida que cheire a promoção correm as compras como se o mundo fosse acabar. O mundo não acaba nunca, o dinheiro sim. Podem estar certos que depois de 2012, ainda teremos muitos carnês para pagar.
Jackson Busato
Economista
jackson.busato@terra.com.br